quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Comissão do Senado aprova isenção de IR para idosos com 65 anos ou mais


Agência Brasil
Ivan Richard*
Repórter da Agência Brasil
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou hoje (8) o projeto de lei que isenta do Imposto de Renda (IR) os valores recebidos mensalmente por idosos com 65 anos ou mais. A proposta, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), limita a isenção até o valor máximo dos benefícios pagos no Regime Geral de Previdência Social.
De acordo com a legislação atual, os idosos com 65 anos ou mais que recebem valores referentes à aposentadoria, reforma ou pensão têm uma isenção de IR adicional. Contudo, o benefício não contempla os demais idosos com 65 anos ou mais.
"Desse modo, a presente proposição tem por objetivo estender o benefício a todos os idosos com mais de 65 anos, quer recebam benefícios previdenciários ou não", justificou o relator da matéria, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
A proposta segue agora para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde será analisada de forma terminativa, ou seja, sem a necessidade de votação no plenário da Casa.
*Colaborou Marcos Chagas
Edição: Talita Cavalcante

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pequenos negócios contratam mais de R$ 143 bi em crédito


Jornal do Commercio / RJ
As micro e pequenas empresas (MPE) contrataram mais de R$ 143,4 bilhões em empréstimos junto aos cinco bancos públicos federais em 2011. O número representa a soma dos valores emprestados pela Caixa Econômica Federal (CEF), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Nordeste (BNB), Banco da Amazônia (Basa) e Banco do Brasil. O volume é 13,5% superior ao de 2010.
Segundo levantamento feito pela Agência Sebrae de Notícias, com informações das instituições financeiras, em 2010 foram emprestados às MPE R$ 126,3 bilhões pelos mesmos bancos.
"A alta na procura das micro e pequenas empresas por crédito se deve ao aquecimento do mercado interno", avalia o diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos. Com o aumento da demanda dos clientes, os empresários recorrem mais ao crédito para capital de giro e investimento. "Mesmo com a maior oferta, os pequenos negócios precisam de tratamento diferenciado, com mais facilidade de acesso a crédito", destaca Carlos Alberto.
A participação das micro e pequenas empresas no total de pessoas jurídicas tomadoras de financiamento é maior entre os clientes da Caixa. De cada R$ 100 emprestados às empresas, R$ 44 foram contratados para empreendimentos de pequeno porte. O volume é 15% superior ao de 2010. Para esse segmento, a Caixa desembolsou R$ 28,6 bilhões, em 2011, frente aos R$ 24,7 bilhões de 2010. O valor vai subir neste ano: o banco terá R$ 40 bilhões aos pequenos negócios.
Além de disporem de mais recursos, os empresários clientes da Caixa poderão contar com juros mais baixos do que os praticados em 2011. Com a queda na taxa Selic, a instituição reduz em até um ponto percentual ao ano os juros cobrados de pessoa jurídica.
As MPE contrataram R$ 2,5 bilhões em empréstimos junto ao Banco do Nordeste (BNB) em um total de 106 mil operações. O volume é 13% superior ao de 2010 e representa 11% das operações do banco. Em 2012, a expectativa do BNB é conceder R$ 3,5 bilhões em financiamentos às MPE.
No BNDES, a proporção de empréstimos aos pequenos negócios dentro do total direcionado à pessoa jurídica foi recorde e atingiu 36%. Foram contratados R$ 49,8 bilhões por micro e pequenas empresas, 9% a mais que em 2010. Houve apoio a 236 mil empresas em 2011, 34% superior ao volume verificado no ano anterior. O Cartão BNDES está entre os fatores que impulsionaram o crescimento. Somente as liberações do cartão atingiram R$ 7,6 bilhões, com aumento de 76% em relação a 2010.
Instituição de fomento voltada para atender a região amazônica, o Basa emprestou R$ 208 milhões às MPE em 2011. Foram atendidos 2,3 mil empreendimentos. O montante é 7,9% inferior aos R$ 226 bilhões concedidos em 2010. A queda se deve a uma greve dos bancários, que prejudicou o atendimento, segundo explica a assessoria de imprensa do banco. Em 2012, a instituição vai disponibilizar R$ 315 milhões em recursos de fomento.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

IPI não pode incidir sobre comercialização de produto importado

A 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) confirmou, nesta semana, que o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não incide sobre operações de comercialização de produtos importados de uma empresa catarinense.
A Alpha Trade Importação de Eletrônicos ajuizou ação na Justiça Federal pedindo a inexigibilidade do tributo. Sustentou que os produtos importados já vêm montados e embalados para serem comercializados aos varejistas e consumidores finais no território nacional e, por isso, pagar o IPI com a saída do produto do estabelecimento seria bitributação.
Após a decisão favorável à empresa em primeiro grau, a União recorreu argumentando que é desnecessária a industrialização do produto para a incidência do fato gerador do IPI.
Após analisar o recurso, o relator do processo, juiz federal Luiz Carlos Cervi, convocado para atuar no tribunal, entendeu que a tese de bitributação levantada pela empresa procede. Para ele, deve ser reconhecido pela União que o processo de industrialização ocorre antes da importação e que, durante o despacho aduaneiro já houve a devida tributação. Dessa forma, a Alpha não deve pagar o IPI quando ocorrer a venda do produto, decidiu o magistrado.

CNI questiona no STF certidão negativa de débito trabalhista

Entidade quer evitar que empresas sejam incluídas no banco nacional de devedores

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) resolveu questionar no STF (Supremo Tribunal Federal) a validade da lei que estabeleceu a certidão negativa de débito trabalhista. A Confederação quer evitar que empresas sejam incluídas no banco nacional de devedores trabalhistas, uma vez que ficariam impedidos de participar de licitações públicas.
A CNI argumenta que a Constituição estabelece que nas licitações públicas só são permitidas exigências de qualificação técnica e econômica. Por isso, seria inconstitucional exigir a certidão negativa de débitos trabalhistas, instituída em julho do ano passado.
Para a CNI, a lei que instituiu a certidão "desrespeita os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa, da isonomia e da livre iniciativa".
Segundo o gerente-executivo da Diretoria Jurídica da CNI, Cássio Borges, a proibição das empresas de participar de processos licitatórios por não apresentarem a certidão é um "mecanismo coercitivo" para que paguem antecipadamente dívidas trabalhistas.
Além disso, a Confederação alega que a proibição de empresas inscritas no banco nacional de devedores trabalhistas de participar de licitações afeta o "interesse público" de haver o maior número de licitantes e, dessa forma, inibe a obtenção da proposta mais vantajosa.
Na avaliação da CNI, a nova exigência não conseguirá evitar a inadimplência dos débitos trabalhistas e prejudicará principalmente as micros e pequenas empresas.
Segundo Borges, pode haver um efeito negativo, o de impedir o pagamento dos débitos, pois a empresa que for eliminada de uma concorrência pública pela falta de pagamento de uma dívida trabalhista corre o risco de encerrar atividades, demitir e aumentar os débitos com seus trabalhadores.
Fonte: R7

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A praia, o som e os economistas - algumas lições de análise econômica aplicadas ao dia a dia


Cristiano Oliveira*

Certa vez, quando perguntado a respeito do porquê de os economistas discordarem tanto, o atual prêmio Nobel em economia Paul Krugman respondeu que estes concordavam em 99% dos assuntos, mas os jornalistas insistiam em perguntar a respeito do 1% em que havia discórdia. Tenho acompanhado neste jornal a polêmica do som na praia e acredito que neste caso os economistas podem contribuir para o debate sem discordância. 

Em primeiro lugar, a praia é um bem público, ou seja, qualquer pessoa pode utilizá-la sem que isso implique não-utilização por outros. Todavia, a praia é um bem público limitado sujeito a congestionamento, pois há uma limitação física do espaço e o acúmulo de pessoas em um mesmo espaço gera o que chamamos de externalidades. Externalidades são os custos ou benefícios que podem acontecer pela atitude de outras pessoas. O som na praia é um bom exemplo de externalidade. A discussão até então dividiu a população entre os que acreditam que este é algo ruim e, portanto, uma externalidade negativa (um custo) e outros que acreditam que este é algo bom, uma externalidade positiva (um benefício). É possível chegar a um consenso? Provavelmente não, mas podemos procurar um equilíbrio que seja melhor para todos que frequentam a praia, pois hoje há claramente um desequilíbrio em que os que gostam do som na praia estão sendo beneficiados em detrimento dos demais. 

O melhor equilíbrio é aquele em que há um mercado para as externalidades. Neste caso, as pessoas que gostam do som na praia, tanto as que colocam quanto as que somente gostam e consideram um benefício teriam que pagar um valor para as pessoas que não gostam do som e se sentem prejudicadas no seu lazer. Qual seria o valor? Isto dependeria da oferta e da demanda, mas quanto mais pessoas não gostarem do som maior deverá ser o valor total pago. No entanto, este equilíbrio é de difícil implementação e seus custos de transação são muito altos, pois haveria a necessidade de alguém que coloque o som na praia negociar com todos aqueles que se sentem prejudicados e isto poderia levar o dia inteiro e, desta forma, ninguém aproveitaria o dia de praia. O prêmio Nobel em 1991 Ronald Coase identificou este problema. Segundo ele, quando há excessivos custos de transação não há como resolver um problema de externalidades via mercado. 

O instrumento mais utilizado nos casos de ausência de um mercado para externalidades negativas e que pode ser aplicado ao som na praia é o da taxação. Isso já é aplicado em crimes contra o meio ambiente e os leitores já devem ter ouvido falar de empresas que são multadas quando os mesmos ocorrem. Neste caso, não há como definir quem foi prejudicado e/ou mensurar o tamanho da degradação feita ao meio ambiente e a multa substitui o mercado retirando um valor do gerador da externalidade que é repassado a toda sociedade, que seria compensada com mais recursos para saúde, educação, etc. O mesmo raciocínio vale para o caso do som na praia, portanto, cabe ao Legislativo estabelecer limites e regras e ao poder Executivo multar os que violarem os limites estabelecidos por lei e compensar a população na forma de mais fiscalização e maior oferta de serviços públicos com os valores arrecadados. Se ninguém violar a regra, não há externalidade e, portanto, não existem nem beneficiados e nem prejudicados e o dia de praia é aproveitado por todos sem conflitos.
Fonte: www.jornalagora.com.br

As principais modificações de leis para as empresas em 2012

Inicia-se um novo ano e além das expectativas de um período fiscal lucrativo as empresas brasileiras sabem que para que essa expectativa seja cumprida ao final de 2012 é preciso estar atento ao planejamento tributário.
Dentro de um planejamento fiscal e tributário bem feito as empresas necessitam estar atentas a quantidade de tributos, a complexidade da legislação e as freqüentes alterações em leis, impostos e tributações.
Para o ano de 2012 algumas mudanças impactarão de forma mais direta na rotina das empresas, gerando maior burocracia e uma conseqüente demanda de tempo maior para se planejar e executar as melhores ações.
Nas medidas que foram aprovadas no decorrer do ano passado, e que começaram a valer desde o mês de Janeiro, quatro podem ser destacadas como as principais leis que vão modificar mais a tributação as empresas: o Simples Nacional, a Eireli (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada), a CNDT (Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas) e o novo Salário Mínimo.
Dentro de um planejamento fiscal e tributário bem feito as empresas necessitam estar atentas a quantidade de tributos, a complexidade da legislação e as freqüentes alterações em leis, impostos e tributações.
Em 2012 as empresas que podem participar do Simples Nacional terão uma redução na carga tributária do sistema. A expectativa é que com a modificação da legislação a carga tributária das micros e pequenas empresas possa ser reduzida em aproximadamente R$ 4,8 bilhões por ano.
A redução ocorre por causa do acréscimo das faixas anuais de faturamento, que tiveram um aumento de 50% sobre os valores anteriores. O limite de enquadramento no regime simplificado de tributação para as microempresas passa de R$ 240 mil para R$ 360 mil e o das pequenas empresas sobe de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões.
Com a ampliação do Simples Nacional o número de beneficiados em 2012 deve ser de 5,6 milhões de empresas e empresários individuais, ampliando e traindo novos negócios e tirando muitos da ilegalidade.
Mais uma lei que pode beneficiar o novo empreendedor é aquela que permite a abertura de uma empresa de responsabilidade limitada sem a obrigatoriedade de se ter um sócio. Para isso foi desenvolvido um novo tipo de pessoa jurídica, a Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (Eireli), que desobriga o empresário a buscar um sócio simplesmente para cumprir uma exigência legal para criação do seu negócio.
A nova lei além de diminuir a burocracia também porá fim nas sociedades de “fachada”, ou seja, aquelas onde um segundo sócio consta no contrato social, mas não tem nenhuma participação de fato na sociedade e no negócio.
Outra novidade que entra em vigor em 2012 é a exigência da Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT) para as empresas. A certidão será utilizada como comprovante da inexistência de débitos da instituição com a Justiça do Trabalho.
A certidão negativa será exigida as empresas que participam de licitações públicas, sendo necessária uma atenção maior com relação aos processos e acordos trabalhistas, evitando possíveis surpresas no momento de se reunir a documentação para habilitação nos processos de licitação.
Mais uma mudança que modificará a economia nacional é o aumento do salário- mínimo. Sancionada pela presidente Dilma Rousseff a nova lei irá permitir ao governo federal editar por decreto o valor do salário mínimo para os próximos quatro anos, injetando mais dinheiro para consumidores e empresas.
As novas leis trazem benefícios e ônus às empresas, mas acima de tudo requerem planejamento e ações bem pensadas dos empresários para que o saldo em 2012 seja positivo para as empresas e a economia brasileira.
Geraldo Carlos Silvestre é diretor da Moore Stephens
Fonte: Noticias Fiscais

Desoneração da folha acelerará ritmo de contratações nas empresas de TI


Valor Econômico
Por Marta Watanabe | De São Paulo
A Totvs, empresa do setor de Tecnologia da Informação (TI), tem 90% de seu faturamento resultante da comercialização de serviços e desenvolvimento de software. Essa parcela do negócio da empresa deve ser beneficiada, a partir de abril, com a desoneração de folha de pagamento prevista no Plano Brasil Maior.
Com o benefício do governo federal, em vez de pagar 20% sobre o valor da folha de pagamentos, a empresa deverá recolher contribuição previdenciária referente a 2,5% do faturamento. Com a folha representando 50% do seu custo total, diz, a empresa terá redução de carga tributária significativa com a troca, diz seu presidente, Laércio Consentino. Ele alega não saber o tamanho da redução, mas diz que o menor custo com tributação sobre folha permitirá à empresa acelerar a velocidade das contratações. "Nós temos contratado cerca de 500 pessoas por ano", diz Consentino. Segundo ele, o ritmo de contratações dos últimos poderá ser acelerado de 10% a 20% com o novo incentivo fiscal. Atualmente a empresa tem 5,5 mil funcionários diretos.
A Totvs não é a única empresa que credita ao benefício da desoneração a possibilidade de acelerar as contratações. José Luiz Rossi, presidente da CPM Braxis, outra empresa do setor de TI, diz que no ano passado a empresa fez recrutamento de 250 estagiários. Este ano, diz Rossi, a ideia é abrir processo de seleção para 600 estagiários.
Para Antonio Gil, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o efeito da desoneração não se restringe à contratação de mais funcionários pelas empresas. Para ele, a desoneração irá propiciar a formalização dos trabalhadores que hoje estão atuando como pessoas jurídicas que prestam serviço às empresas, embora sua rotina de atividade caracterize vínculo empregatício.
"Essa medida faz com que os custos das empresas que contratam pessoas jurídicas fiquem parecidos com os daquelas que empregam com a CLT", diz Gil, referindo-se à Consolidação das Leis do Trabalho, legislação aplicada aos empregados com carteira de trabalho assinada.
Segundo dados da Brasscom, o setor de TI emprega em torno de 1,2 milhão de trabalhadores. Cerca de 50%, porém, são contratados irregularmente como pessoas jurídicas. A estimativa, diz Gil, é que essa fatia de trabalhadores caia para 20% em três anos. Com a desoneração, o setor reduz o seu recolhimento de contribuição previdenciária em R$ 1 bilhão, valor que significa 80% da arrecadação do tributo no setor.
O efeito da desoneração é representativo no segmento, explica Gil, em razão da grande participação da folha de salários entre as despesas totais das empresas. Ele conta que o desembolso com pessoal representa, em média, de 50% a 70% do faturamento das empresas. O custo é representativo, explica, porque o setor não possui custos fixos grandes com instalações fabris e maquinário.
O efeito da medida da desoneração sobre as exportações, porém, deve demorar mais. Além de reduzir a carga tributária sobre folha, a medida da desoneração, acredita Gil, deve estimular a exportação de serviços. Isso porque a receita de exportação está excluída do cálculo da nova contribuição de 2,5% sobre o faturamento das empresas de TI. A Brasscom estima que dentro de dez anos o setor deve exportar o correspondente a 10% do seu faturamento total. No ano passado, as empresas de TI faturaram ao todo US$ 96 bilhões, dos quais 2,71% resultantes de exportação.
Em 2009, o setor de TI já havia sido contemplado por uma medida de redução da contribuição ao INSS, mas com efeitos bem mais restritos. As empresas do setor que exportam 100% dos serviços poderiam ter o recolhimento à Previdência reduzido pela metade, de 20% para 10%. A redução variava conforme o volume de exportação comparado ao vendido no mercado interno
Na prática, a nova desoneração da folha não foi aplicada de forma uniforme entre as empresas do setor. A medida está em vigor desde dezembro para as empresas que têm todo o faturamento resultante de atividade que faça jus ao benefício. Se a empresa tem receitas com atividades que não estão entre as beneficiadas com a desoneração, porém, a nova contribuição deve valer a partir de abril.
Em razão dos prazos diferenciados de aplicação da nova medida, no grupo CPM Braxis algumas empresas já calculam a contribuição sobre o faturamento enquanto outras só irão aplicar o novo cálculo a partir de abril. Por isso, o presidente José Luiz Rossi, presidente da CPM Braxis, diz que, em razão dessa diferença, a empresa ainda não tem os cálculos definitivos da redução de carga tributária com a desoneração. Ele informa, porém, que a folha de salários representa 60% de seu faturamento. Com a desoneração, diz Rossi, a empresa terá mais recursos disponíveis para aplicar em treinamento e capacitação, além de recrutar neste ano mais que o dobro de estagiários selecionados no ano passado.
Na Resource IT Solution, diz o presidente da empresa, Gilmar Batistela, o efeito da desoneração nas contratações dentro do país deverá ser mais gradativo. A empresa, diz, tem investido na abertura de subsidiárias fora do Brasil e houve crescimento significativa do número de empregados. Nos últimos anos, diz o executivo, a empresa passou por elevação da folha em função da contratação com carteira assinada de trabalhadores que antes atuavam como pessoas jurídicas. Segundo Batistela, há três anos a empresa tinha mais de 500 pessoas jurídicas prestando serviço, o que representava mais de 50% dos trabalhadores. Pouco a pouco, conta, os funcionários passaram pela contratação direta. Hoje, segundo ele, a empresa tem 2,5 mil empregados no país, como resultado da formalização e também do aumento de pessoal, boa parte resultante da aquisição de empresas.
Com faturamento resultante integralmente de atividade de TI, a BRQ IT Services já recolhe desde dezembro a contribuição previdenciária sobre faturamento. O presidente da empresa, Benjamin Quadros, diz que houve queda de carga tributária, mas não revela de quanto. A empresa faturou no ano passado R$ 340 milhões e, segundo ele, os planos são de elevar a receita para R$ 455 milhões em 2012, aumentando também em 30% o quadro dos atuais 3 mil funcionários. A exportação é responsável por 10% do faturamento da empresa, mas Quadros considera que a desoneração não é suficiente para alavancar a venda de serviços ao exterior. Além da crise internacional, diz, a carga de tributos do Brasil ainda continua alta na comparação com a da Índia, o principal competidor na área de TI.